AGRICULTURA

Programa aumenta competitividade para produtores

BELO HORIZONTE (MG) - Quem é que não gosta de um cafezinho? Inserido nesse inesgotável mercado, Minas Gerais se qualifica cada vez mais para atender a esta preferência nacional e mundial. Maior estado produtor de café no Brasil, o estado conta hoje com cerca de 1.200 propriedades certificadas no Certifica Minas Café (CMC), programa do Governo mineiro executado pela Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), por meio da Emater-MG e do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA). Atualmente, quase 40% destas pertencem à agricultura familiar. O Certifica Minas Café tem como principal objetivo a implantação de boas práticas de produção nas propriedades cafeeiras do estado, de modo a aumentar a visibilidade e a competitividade do café mineiro nos mercados nacional e internacional. Em 2017, foram comercializadas 1.197.814 sacas certificadas.
O gerente de certificação do IMA, Rogério Fernandes, explica que a ferramenta possibilita que o produto seja mais competitivo. “O maior benefício da certificação é indireto, no sentido de melhoria na gestão das propriedades, o que torna o produtor mais eficiente. Há também uma melhoria na qualidade do café, pois há vários requisitos de boas práticas de produção a serem seguidos para a certificação. Progressivamente, o produtor também obtém acesso a nichos diferenciados de mercado e pode agregar valor ao seu produto, com ágios diferenciados na venda”, ressalta.
O produtor rural José Rodrigues Lopes, 46 anos, de Caratinga, no Vale do Aço, é da terceira geração de pequeno produtor do grão em sua família. Ele conta que, antes mesmo de colher, já está com toda a produção de 500 sacas vendida. “A certificação impulsionou isso. Já vendi o café até por 8 reais a mais por ser certificado. Mas, para mim, o ganho maior nem é o de preço, e sim de qualidade. Aprendi a fazer controle de pragas mais eficiente, a adubar sem desperdício e até a fazer a reciclagem correta dos resíduos. A qualidade do meu café melhorou bastante”, diz.
Pequeno produtor em Camacho, no Território Oeste, Nélio da Silva, 44 anos, afirma que teve que modificar a gestão de sua propriedade para obter a certificação. “Trabalho com café desde os 12 anos de idade, e tinha muita coisa que eu fazia errado, principalmente controle de pragas e doenças. Aprendi a fazer o controle correto, a gente fica muito mais atento. Hoje eu vejo que há mais interesse pelo café certificado”, explica. Para este ano, a estimativa, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), é de repetir a safra recorde de café em Minas Gerais, colhida em 2016, de 30,7 milhões de sacas.
Coordenador técnico estadual de cafeicultura e gestor do CMC na Emater-MG, Bernardino Guimarães explica que o produtor recebe assistência técnica para fazer a adequação da propriedade. “O processo demora de seis meses a um ano, e hoje temos demanda não só de produtores, mas de associações de produtores que estão colocando o Certifica Minas Café como condição para ser associado”, destaca.
É o caso da Associação dos Produtores do Alto da Serra (Apas), de São Gonçalo do Sapucaí, no Sul do estado. “A Associação não tem uma pessoa que poderia ficar responsável pela administração das 60 propriedades associadas. Então, se o associado é certificado, isso já nos dá um respaldo de que ele tem boas práticas de gestão e controle na sua produção”, afirma o presidente da Apas, Ademilson Borges. Hoje, do total de 60 associados, metade é certificada pelo CMC.
Para Borges, que tem sua propriedade certificada há 10 anos, o café é uma paixão. “Quando eu fui assumir a produção do meu pai, ele sugeriu que eu saísse aqui da zona rural e fosse para Itajubá trabalhar com carpintaria. Ele estava desanimado, não tínhamos produção nem controle de nada na propriedade. Mas eu vi na certificação uma ferramenta para nos ajudar, e acreditei”, relata. “Hoje, temos outra cafeicultura. Temos inclusive condições de fazer a classificação e degustação do café aqui. Isto é, a gente sabe o café que tem e quanto ele vale. Isso, para mim, foi a maior conquista”, completa.
A sucessão familiar, aliás, é outro ponto trabalhado pelo Certifica Minas Café. “São mais de 100 itens, de alta complexidade, aos quais o produtor tem que ficar atento e cumprir. Então as muheres e os filhos têm sido incluídos nessa gestão, no processo decisório do negócio. Isso também é importante para o produtor. Temos vários casos de jovens que estão trazendo inovações à cafeicultura familiar e se fixando no campo”, enfatiza Bernardino Guimarães.
A Apas é composta por pequenos produtores rurais e produziu, no ano passado, 18 mil sacas de café. Este ano, o café da associação foi parar direto na Suíça, que já sinalizou um pedido maior para a próxima safra.
Qualidade valorizada
O coordenador técnico estadual de cafeicultura e gestor do CMC na Emater-MG, Bernardino Guimarães, destaca outra frente do trabalho de certificação, feita junto aos compradores de café. “Estamos empenhados em apresentar o Certifica Minas Café para estes traders, para agregar valor a esses cafés certificados. Já temos exportadoras que estão pagando mais pelo produto que tem esse selo, o que representa um grande impacto principalmente para o pequeno produtor”, afirma.
A Exportadora Guaxupé, no Território Sudoeste, paga pela saca um ágio – valor a mais pelo produto - de R$ 5 pelo café que possui o selo Certifica Minas. “Nosso entendimento é o de que os produtores que têm a propriedade certificada focam mais na qualidade de seus produtos. O grande ponto, para nós, é a questão da sustentabilidade que é trabalhada, e o mundo inteiro tem olhado para isto: se o café é produzido de forma sustentável, com foco na preservação do meio ambiente, com responsabilidade social, é um valor agregado”, salienta a diretora executiva da Exportadora Guaxupé, Flávia Barbosa.
Este ano, a Exportadora vai enviar para fora do país mais de 50 mil sacas de café do Certifica Minas, que é todo exportado para a Alemanha.
Certificação internacional
Uma grande conquista alcançada pelo Certifica Minas Café foi a conclusão de uma parceria com a organização holandesa UTZ Certified – certificadora de reconhecimento internacional. Para conceder o seu selo, a UTZ reconheceu a equivalência entre a sua certificação e aquela realizada pelo CMC. A posse desse certificado concede aos cafeicultores um novo e importante valor agregado, que confere à sua produção maior competitividade e acesso aos mercados nacional e internacional, inclusive possibilitando melhores preços para o seu produto. Já foram emitidos certificados internacionais CMC/UTZ para 170 propriedades de café em todo o território mineiro.
Para receber o certificado, os produtores passam por auditoria realizada pelo Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) e cumprem 28 itens obrigatórios em cinco áreas: lavoura, rastreabilidade, responsabilidade ambiental e social, capacitação e gestão da propriedade. É necessário também que o produtor obtenha uma pontuação mínima de 80 pontos no cumprimento da norma de certificação.
No primeiro ano, a certificação da UTZ é gratuita. Para os produtores da agricultura familiar que participam dessa parceria não há cobrança de taxas. O Certifica Minas Café também isenta os agricultores familiares da taxa de auditoria.
Segov MG

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