AGRICULTURA

Paolinelli critica falta de planejamento no agronegócio

BRASILIA (DF) - Em entrevista à jornalista Michelle Valverde do Diário do Comércio, o ex-ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e atual presidente-executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho), Alysson Paolinelli, comenta os principais gargalos que devem ser superados para que a produção brasileira de alimentos cresça cerca de 40% nos próximos 36 anos. Leia alguns trechos da entrevista.
O Brasil é considerado o principal país capaz de alavancar a produção do agronegócio para atender à crescente demanda mundial por alimentos. Temos investido nesta oportunidade de crescimento?
AP: O Brasil tem total condições de crescer no agronegócio, mas não está fazendo o necessário devido à falta de planejamento estratégico e de políticas públicas. Temos condições de produzir cada vez mais. Porém, o volume que hoje é gerado já enfrenta problemas graves, como a falta de espaço para armazenamento da safra e uma logística comprometida, tanto no que se refere ao transporte como ao embarque dos produtos nos portos. 
Falta investimento por parte do governo?
Com certeza. Para se ter uma ideia, o governo alardeia que está disponibilizando R$ 176 bilhões para a agricultura brasileira, no Plano Safra 2013/14, para produzir quase 200 bilhões de toneladas. Na década de 1970, o Brasil produzia 30 milhões de toneladas e
tinha disponível este mesmo valor, se corrigido. Não está havendo correspondência, e este é o perigo. 
O crédito disponibilizado via Plano Safra atende à demanda dos produtores?
O problema do crédito não é só o volume de recursos, ele deve ser aplicado no que realmente precisa, o que não ocorre. O governo está entregando o comando do crédito para as entidades financeiras, mas a produção agrícola tem um objetivo e o banco tem outro, que é ganhar dinheiro sem ter risco, e a agricultura é a atividade de maior risco. Por isso, os produtores estão se tornando reféns dos bancos que, por sua vez, se utilizam
de todos os recursos para comprometer o produtor.
Qual a avaliação do senhor em relação ao Código Florestal?
Nada do código salva. Antes da elaboração, era preciso que conhecêssemos os diferentes biomas. Ao contrário disso, fizeram um código sem estudar o bioma da Amazônia, do Nordeste, do Pantanal. Conhecemos um pouco do cerrado e da Mata Atlântica, que estamos tentando recompor. Conhecemos e não utilizamos corretamente os pampas do Rio Grande do Sul. E, acredite, os seis biomas que citei foram legislados como se fossem um só. Foram anos jogados fora e, hoje, o Brasil está com limitações de áreas, por não ter condições legais de usar tudo que pode. Estamos limitados por uma legislação esdrúxula, completamente errada. 
Quais as principais e mais urgentes medidas que devem ser tomadas para que o agronegócio brasileiro se torne mais competitivo no mercado mundial?
É preciso continuar investindo em ciência e tecnologia, na geração de conhecimento, o que não acontece. Temos empresas especializadas como a Embrapa, que passa por dificuldades financeiras, e as estaduais, que estão praticamente falidas. As universidades
também não têm recursos para pesquisas. Também é preciso planejamento para reduzir custos, principalmente em relação ao escoamento da safra. 
Uma avaliação em relação ao cerrado. Ainda há espaço para crescer?
O cerrado é um exemplo da competência brasileira. Toda  agricultura no mundo foi feita sobre as melhores terras. No cerrado, aconteceu o inverso. O agricultor aprendeu a manejar uma das terras mais degradadas do mundo e vem produzindo cada vez mais. Ainda temos muitas fronteiras para serem exploradas, só ocupamos 20% do cerrado brasileiro. 
A produtividade das culturas brasileiras é satisfatória?
O Brasil caminha bem em relação à produtividade, está bem colocado no ranking mundial,  mas, mesmo assim, ainda existe muito espaço para crescer. Um dos problemas é que ela ainda não chega à agricultura de subsistência e todos os produtos têm condições de ter produtividade maior. 
O uso da água vai ser um problema? 
O uso da água é fundamental para o desenvolvimento da agricultura. O Brasil é um dos
países mais ricos em relação à oferta de água doce, mas a mentalidade do brasileiro
é completamente equivocada. A água precisa estar na terra, na biologia, fazendo a
semente se desenvolver e produzir. A tendência é partir para a irrigação, investir na terceira safra. O mundo está caminhando, quando chegar a 2050 não vai ter recursos em vários países produtores e o mundo vai pressionar, se não tem competência, vai perder. 
Os investimentos feitos em parceira entre governo e iniciativa privada para a produção de fertilizantes no país irão alavancar a agricultura?
Em 1970, planejou-se e quase alcançamos a autossuficiência, porém, a demanda cresceu e, como não fizemos planejamento, ficamos dependentes das importações, o que é uma vergonha. As empresas privadas estão reclamando que gastam, no mínimo, de 3 anos a 5 anos para obter uma autorização na área de ecologia. Que empresa vai investir com esta burocracia? Temos no solo brasileiro o suficiente para atender à demanda nacional. Falta apoio do governo para reduzir a burocracia.
Diário do Comércio

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