POLÍTICA

Pacheco: “Minas é maior do que essa administrada pelo PT"

PASSOS (MG) - Durante encontro de prefeitos da Associação dos Municípios da Microrregião do Médio Rio Grande (Ameg), realizado em Passos, nesta quinta-feira (8), o deputado federal Rodrigo Pacheco (MDB), pré-candidato ao governo do Estado, disse que Minas é “muito maior” do que essa administrada pelo petista Fernando Pimentel. Pacheco ressaltou que o Estado vem se apequenando em função do inchaço da máquina pública, da falta de investimentos, do atraso no salário dos servidores públicos e da perda de receita e empregos em função da fuga de empresas para outros estados.
Como solução para que Minas retome o protagonismo, o deputado federal defendeu como meta de governabilidade a busca da austeridade, enxugamento e plena eficiência da máquina pública, aliada a uma política de fomento para atrair empresas e estimular as que já estão no estado, para alavancar o desenvolvimento de Minas e gerar empregos para os mineiros. Presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, Rodrigo Pacheco deixou claro o seu posicionamento contrário ao atual governo de Minas e conclamou a sociedade civil a fazer um pacto pela boa política. "A nossa (pré)-candidatura ao governo do estado se coloca como algo assim, que busca essa renovação, uma mudança responsável, eficaz, tornando o estado enxuto, eficiente e em rota de crescimento. Nós não podemos suportar a atrofia de um estado que não cresce e acaba por sobrecarregar aqueles que não têm muitas condições”, disse.
Aplaudido por vários prefeitos, Rodrigo Pacheco também demonstrou profunda preocupação com a situação de boa parte dos municípios mineiros que está em estado de calamidade financeira por falta dos repasses que lhes são devidos pelo governo do estado. Pacheco ainda defendeu como pré-requisitos a ética e honestidade a quem se postula como pretendente a governar o estado. “Dentro desse cenário, nós vamos construir um grupo, de dentro da política e de fora da política, mas com o ponto em comum que é fortalecer o estado de Minas Gerais", afirmou.
Deputado, quais seriam esses pilares dessa nova formação para fazer o desenvolvimento de Minas Gerais?
- Rodrigo Pacheco: Além dos atributos que todo homem público tem que possuir, que é a ética, a decência e a honestidade, o comprometimento em servir e se doar, e não se servir da política. Nós temos linhas muito claras em relação a isso, que é o enxugamento da máquina pública, o enxugamento de secretarias, diminuição de comissionados, há um excesso de cargos de recrutamento amplo que acaba por desestimular aqueles servidores de carreira concursados. (Precisamos) retomar a meritocracia do serviço público, aquele que trabalha bem ser valorizado. Essa é uma linha muito importante de um estado novo, que precisa ser criado, dentro dessa premissa de enxugamento e de eficácia do estado. E, no âmbito do crescimento, uma arrecadação tributária que seja responsável, que não sobrecarregue os municípios, que não sobrecarregue quem produz, que não sobrecarregue o cidadão que paga a conta. E que permita a produção no estado de fatos geradores tributários, ou seja, mais produção, mais desenvolvimento, mais negócios para Minas Gerais. Haverá um lema que é o de não deixar nenhuma empresa do estado deixar o estado de Minas Gerais. E outro lema, que é o de trazer grandes e médias empresas para o estado de Minas Gerais. Para nós gerarmos renda, gerarmos divisas, gerarmos empregos e trabalho para as pessoas de Minas. Enquanto os mineiros não tiverem emprego, não tiverem trabalho, nós não vamos ser um estado bom. Então, os mineiros têm que trabalhar, os mineiros têm que acordar cedo e ter uma referência de trabalho. Tem que ter saúde pública de qualidade, educação e qualidade e um ambiente de segurança para combater essa criminalidade que nos assola. É preciso ter um pacto de que Minas Gerais precisa ser diferente do resto do país. Tomara que o Brasil consiga um rumo melhor, mas enquanto isso não acontece, o estado de Minas Gerais tem que ter fortalecimento das suas bases de forças de segurança e fazer uma política de prevenção à criminalidade de modo que o criminoso, especialmente o do crime organizado, entenda que em Minas Gerais não há ambiente para ele. E, a partir disso, a gente ter uma sociedade mais segura. Então são premissas que vão compor um plano de trabalho muito transparente e muito claro, pautado em governança pública, que possa privilegiar transparência, que possa privilegiar controles internos. Ter no servidor público o DNA da administração, bem valorizado, acho que é dentro dessas diretrizes, dentro dessas premissas e com a ajuda de quem entende cada um dos setores, porque é erro do político achar que entende de tudo. É preciso ter a humildade de reconhecer que quem entende de agricultura é uma determinada pessoa, quem entende de saúde é um outro grupo, quem entende de comunicação são vocês. Então, ter essa humildade de fazer convergir aqueles que tenham a essa compreensão como ponto comum, que é o amor ao estado e o objetivo de servir.
O senhor ressaltou também a valorização dos municípios.....
- Rodrigo Pacheco: Valorização dos municípios é fundamental. Minas Gerais tem 853 municípios sacrificados pelo pacto federativo que não os privilegia, e uma arrecadação tributária também muito equivocada. Eu tenho muita esperança que, no âmbito federal, nós possamos aprovar a reforma tributária, aprovarmos o remodelamento do pacto federativo e valorizar os municípios. E sobretudo, exigir do governo do estado (a correção) daquilo que é muito grave e inédito na história de Minas Gerais, que é o não repasse das verbas constitucionais que pertencem aos municípios. Isso faz com que o município perca sua previsibilidade, sua programação, o serviço público fica contaminado, o posto de saúde não vai funcionar, a educação não vai funcionar direito, a segurança também não. Então, o prefeito municipal, quando não recebe (a parcela) do IPVA que é de direito dele, a (parcela) do ICMS, quando não tem a receita do transporte escolar, a receita da saúde, (a receita) do Fundeb, ele acaba por comprometer a qualidade dos serviços públicos do município. Essa é uma luta para conscientizar o governo de que está acontecendo uma apropriação, passível inclusive de intervenção da União sobre o estado, se não for regularizada. Esse é um trabalho que os municípios estão fazendo, muito bem organizado, através das suas associações, especialmente da AMM (Associação Mineira dos Municípios), sob a presidência do prefeito de Moema, Julvan Lacerda, justamente para rebater e combater esse desmando desse desgoverno que existe hoje em Minas Gerais.
O que o senhor achou desse encontro, de receber todo esse apoio de todos esses representantes políticos?
- Rodrigo Pacheco: Esse encontro da Aemg é muito importante porque é um sinal de mobilização e de insatisfação com os desmandos que acontecem com o governo do estado em relação aos municípios. Muitos prefeitos aqui estiveram presentes, os municípios se fizeram representar, ora pelos prefeitos, ora pelos vice-prefeitos e vereadores. Então, é uma mobilização muito importante e interessante. Só se faz política através disso, manifestando o descontentamento, fazendo as mobilizações responsáveis, uma oposição e o apontamento ético das questões que estão acontecendo. Fiquei realmente surpreso com esse carinho tão espontâneo de todos esses agentes políticos, tendo na nossa pré-candidatura ao governo uma expectativa e esperança da retomada do crescimento do estado. É esse o compromisso que assumo, recebo esse carinho e essa receptividade de hoje com bastante carinho e alegria, mas, sobretudo, com responsabilidade. Passo a representar casa uma dessas pessoas dentro de um propósito de fazer uma política com p maiúsculo e que melhore a vida de cada um dos mineiros e mineiras. Esse é o meu compromisso, é por isso que eu saí da vida privada para entrar na vida pública, para fazer essa diferença.
Em 2016, o Rodrigo Pacheco estava colocado como um dos candidatos à Prefeitura de Belo Horizonte.  O senhor teve quase 119 mil votos, ou 10% do eleitorado. Isso o cacifa, do ponto de vista eleitoral, a ser candidato ao governo de Minas? E como está o diálogo do senhor com a base eleitoral do interior do estado?
- Rodrigo Pacheco: Eu assumi a missão de representar o partido (MDB) numa disputa muito difícil, contra todas as forças. Havia candidato do governador, havia candidato do então prefeito, havia candidato do senador Aécio Neves e do senador (Antonio) Anastasia. Eu lutei contra tudo isso, saí em último lugar, em décimo-primeiro, porque havia 11 candidatos, e cheguei em terceiro lugar, numa campanha muito curta de 45 dias. Eu tive dificuldade em lutar e disputar contra esse sistema mais amplo, mas fiquei em terceiro lugar. Isso me deu experiência em uma campanha majoritária. A população de Belo Horizonte pode me conhecer e conhecer as minhas propostas. E a minha interlocução com o interior do estado é muito boa hoje. Tenho feito várias viagens, tenho recebido muitas lideranças do interior. E digo a vocês, não só da política, mas de fora da política, porque há um mundo fora da política que, às vezes, os políticos não compreendem e não consideram tanto. E é esse mundo fora da política que quer renovação, que quer mudança na gestão do estado e de um modo geral. Então, eu tenho feito meu trabalho, meu para casa, para poder apresentar um processo consistente baseado em premissas que atendam ao cidadão de Minas Gerais.
O senhor tem já uma carreira política admirável. Já no primeiro mandato, de maneira inédita, assumiu a presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados. O senhor, em três anos já fez muita coisa e não está contaminado pelas mazelas da política, o senhor ainda é um outsider e o que o senhor acha da participação dos chamados outsider na campanha eleitoral de 2018?
- Rodrigo Pacheco: Eu acho que num ambiente democrático é preciso permitir a todos aqueles que desejam as eleições, com boas intenções, o façam. Seja quem tem mandato, seja quem não tem mandato, seja quem está no décimo mandato, seja quem está no primeiro mandato. Isso faz parte do jogo democrático e caberá à população decidir em quem confiar e quem será o melhor representante. Eu vejo com muita naturalidade a presença de outsiderna política. Eu vou abster de me considerar outsider ou não. O fato é que eu estou no meu primeiro mandato, a política, para mim, ainda é algo novo. Mas devo dizer, e é importante que as pessoas saibam disso, ter a consciência que na política verdadeira, na política especial, é que se constrói as grandes soluções para a humanidade e para a sociedade de um modo geral. Não é fora da política que isso acontecerá. Então nós temos trazer para a política as pessoas de bem, as pessoas bem intencionadas. Criar um sistema e um ambiente fértil para atrair essas pessoas para a política. Inclusive, para manutenção daquelas que já estão na política e são bem intencionadas. Eu defendo a política como instrumento de transformação das pessoas, acredito na política. Nós precisamos é, de algum modo, amadurecer a política brasileira, para fazer permanecer nela e atrair as pessoas que tenham compromisso público, as pessoas que pensam primeiro no interesse comum, no interesse político da sociedade e da sua comunidade, do partido político que representam e, menos, no interesse pessoal. É nisso que eu acredito. Eu venho de uma história na advocacia de militância numa entidade que eu admiro demais, que é a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), inclusive onde fui conselheiro federal mais novo de Minas Gerais. Então, eu trago comigo essas bandeiras da ética e da defesa da Constituição Federal e, enquanto eu tiver fôlego, ânimo, eu vou levar isso sempre para a política partidária.    
AC do deputado

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